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Conceito de Espiritualidade Falar de espiritualidade significa, de fato, falar da vida cristã que se desenvolve, se consolida até a maturidade, seja segundo as leis do crescimento antropológico e psicológico, seja segundo os ritmos do mistério da graça. A espiritualidade consiste em viver, concretamente, segundo o ensinamento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Para Jesus, o autêntico seguidor é aquele que escuta a Palavra, a acolhe e a pratica (cf. Mt 7,21ss; Lc 11,27-28 e especialmente Mt 13,1-23, a parábola do semeador, na qual o “fruto espiritual” é proporcional à acolhida da palavra de Deus). No processo de formação, a espiritualidade
Cada vez mais a Espiritualidade tende a abandonar a forma apriorística, ou seja, aquela que é construída a partir dos grandes princípios do mistério cristão e da ética, para estar aberta e acolher o cotidiano real em contínua mutação, considerando as transformações antropológicas. As fontes da espiritualidade são a Bíblia, os sacramentos e o testemunho da Igreja (a Virgem Maria, os santos e o rosto do nosso irmão). Anselm Grün e Meinrad Dufner (Editora Vozes, 2004, 127 páginas) monges beneditinos que vivem na Alemanha, escreveram um livro intitulado Espiritualidade a partir de si mesmo, em que tratam da “espiritualidade a partir do alto” e da “espiritualidade a partir de baixo”. É a segunda que os autores procuram comentar e valorizar como subida rumo ao transcendente. A partir de si mesmo, de sua realidade como corpo e alma, a partir dos sentimentos, das fraquezas e sofrimentos de todo dia, a pessoa toma consciência das muitas pedras no caminho que leva a Deus. Vale a pena ler, refletir e pôr em prática. Henri J. M Nouwen (Editora Paulinas, 2003, 163 páginas), sacerdote holandês, escreveu A volta do filho pródigo A história de um retorno para casa, por meio do qual, seguindo a inspiração que teve diante da obra em que o pintor Rembrandt retrata a impressionante história do Evangelho, e reflete sobre os desafios que ela nos apresenta. Trata-se de um interessante caminho para a espiritualidade. Leia-o e surpreenda-se.
Por uma espiritualidade Eucarística.
Convém entendermos logo o significado da palavra Eucaristia. O prefixo Eu dá às palavras o sentido de 'pleno', 'perfeito' assim: Eu-foria é a pleno bem-estar, Eu-genia é a perfeição do nascer e Eu-tanasia é a morte perfeita. Na palavra Eucaristia o prefixo Eu é aplicado a Carum, de onde vem palavras como 'caro' e 'caridade', palavras que com o tempo se afastaram de seu sentido antigo que tem a vem com 'Bem', 'algo precioso' e 'amor'. Assim sendo nossa Eucaristia poderia ser traduzida por 'sumo bem' ou 'amor perfeito' ou, ainda, 'perfeita gratuidade'. Particularmente, prefiro evocar o sentido de 'Ação de Graças', expressão que vem da oração que os judeus faziam antes de comer. Neste ambiente a comida era tida como a maior benção de Deus para seus escolhidos. "...Jesus tomou o pão, pronunciou a Benção, partiu-o e lhes deu..." (Mc 14,22). Retomando o prefixo Eu à nossa Eucaristia cabe muito bem o conceito de "Plena Benção". Ao mesmo tempo, assumir uma espiritualidade significa conhecer a identidade do grupo religioso a qual se pertence, isto significa assumir um modelo de Igreja. Aprofundar nossa espiritualidade eucarística, neste caso, é de suma importância para nos descobrirmos católicos. De fato, a Igreja faz a Eucaristia e a Eucaristia faz a Igreja, de modo que professamos nossa fé dentro da Igreja da Eucaristia, a qual pelo batismo todos somos membros. Somos o 'Povo da Plena Benção'. A comunidade que se alimenta do Corpo de Cristo. Mas também membros que dão de si para que outros tenham vida. Pelo batismo todo cristão é sacerdote, profeta e rei e no contexto do Santíssimo Sacramento isto quer dizer que todos somos Ministros da Eucaristia. Aos quais o Espírito Santo suscita os ministérios como lhe apraz. Eis que se entendermos isto aparece diante de nós um grande Desafio. Temos que parar de encarar a Eucaristia, e todos os sacramentos, como bens espirituais de consumo. Isto consiste numa falsa espiritualidade eucarística. Comunidade não é Loja; Sacerdote não é Vendedor; Sacramento não é Produto; Povo não é Consumidor. De modo que, todos devem descobrir a força de uma vida toda ela eucarística:
Ser movido pelo Espírito,
A Eucaristia é a forma de materializar no nosso ser, no nosso próprio corpo, esta comunhão com a Trindade. Que mistério tão grande, Deus que entra na carne humana ferida (não reconciliada) pelo pecado e aí manifesta a sua onipotência servidora fazendo-se comida para o caminho.
Alexandre Ferreira Santos (Seminarista da Arquidiocese de São Paulo, cursa o 3º ano da graduação em Teologia na Pontifícia Faculdade de Nossa Senhora da Assunção).
“Foi capaz de dar a própria vida para anunciar o evangelho”
No ultimo dia 14 de agosto, a Igreja celebrou a vida de mais um homem que com seus gestos testemunhou o evangelho, e foi capaz de levar este testemunho às últimas conseqüências, sendo capaz de dar a própria vida para anunciá-lo. Estou falando de São Maxiliano Maria Kolbe. São Maxiliamo nasceu na Polônia e, desde muito novo, fez-se servo de Deus e devoto de Maria Imaculada, como gostava de chamar a Mãe de Deus. Ordenado padre e atendendo ao pedido do bispo, colocou-se a serviço da evangelização no mundo indo ao Japão para anunciar aquele que o tinha atraído, o Jesus que o tinha cativado. Logo depois de ter voltado à sua terra natal, foi feito prisioneiro, pois a Europa estava vivenciando a segunda guerra mundial e, naquele tempo, padres e judeus eram prisioneiros favoritos. Certo dia, um detento escapou e, de acordo com o costume, outros deveriam morrer como castigo. Naquele dia, dez homens haviam sido escolhidos para morrer, dentre os quais havia um que, ao caminhar para morte, gritava que possuía família, filhos, e que não poderia morrer. Então, do meio da prisão um homem grita que queria ser trocado por aquele homem, oferecendo-se para morrer no seu lugar. Esse homem era o então padre Maxiliano Kolbe. Assim foi o fim da sua vida: morreu dez dias depois, sem ser alimentado e sob o efeito de uma injeção letal. Muitos foram os homens e mulheres que deram a própria vida pelo evangelho, mas esta história, a história de Maxiliano Kolbe, me chama a atenção justamente pelo seu gesto, o gesto de dar a vida por seu companheiro de prisão. Este gesto de Maxiliano Kolbe me fez repensar naquilo que, de fato, é ser sacerdote. Quando lemos as sagradas Escrituras no Antigo Testamento vemos que o sacerdote era aquele que oferecia sacrifícios pelos homens. Quando olhamos o Novo Testamento, percebemos que Jesus dá um novo significado e este ser sacerdote: não mais oferecer sacrifícios pelos homens, mas Jesus dar-se em sacrifício, dar a própria vida pelos homens. Faz da cruz um gesto de amor... Assim também acontece com São Maxiliano Maria Kolbe, que foi capaz de dar a sua vida por um irmão. Isto é ser sacerdote. Diante disso logo me vem à memória as palavras de Pedro em uma de suas cartas: “vós, porém, sois uma raça escolhida, um sacerdócio régio, uma nação santa, um povo adquirido para Deus”... Pelo batismo, somos todos chamados a ser sacerdotes; somos chamados a darmos nossa vida pelos nossos irmãos.
Seminarista Everton Moraes – (Arquidiocese de São Paulo)
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