Para refletir " SÃO MAXIMILIANO KOLBE"


"Jesus de Nazaré", de Joseph Ratzinger - Bento XVI
Resumo comentado

 

A Origem da Festa de Corpus Christi

 

 

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Para refletir

SÃO MAXIMILIANO KOLBE

 

“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15, 13). Com este trecho do evangelho, João Paulo II, muito apropriadamente, inicia sua homilia na cerimônia de beatificação de Maximiliano Kolbe.

Sacerdote franciscano, natural da Polônia, fundou a Milícia da Imaculada, associação destinada ao apostolado  católico e mariano. A veneração de padre Kolbe pela Virgem era tamanha que ele compreendia o mundo como uma criação especial para ela, ou nas próprias palavras de padre Kolbe:A Virgem Imaculada é o último limite entre Deus e a criatura. Ela é o espelho fiel da perfeição e santidade divinas”.

Padre Kolbe fazia uso da imprensa de modo muito amplo. Lançou uma revista mariana que logo alcançou a tiragem de um milhão de exemplares e também um jornal. Criou uma estação de rádio, mostrando assim que o progresso técnico era importante e que não poderia ser detido. Padre Kolbe era imbuído de um anseio expansionista. Ele queria que o mundo fosse conquistado para a Virgem Maria. Nesta intenção, fundou com seus confrades franciscanos um convento em Nagasaki, no Japão, sendo este considerado como um sinal divino quando, ao fim da Segunda Guerra Mundial, Nagasaki desapareceu praticamente do globo terrestre, pela explosão de uma bomba atômica, subsistiu como por milagre a estação missionária fundada por ele.

Durante a mesma Segunda Guerra Mundial ele deu abrigo a muitos refugiados, incluindo cerca de 2000 judeus. Foi aprisionado pelos nazistas, que temiam sua influência na Polônia. Estava no campo de concentração de Auschwitz, em agosto de 1941, quando dez prisioneiros foram sorteados e condenados a morrer de fome e sede. O Padre Kolbe, que tinha então 47 anos, ofereceu-se para substituir um dos prisioneiros, Francisco Gajowniczek, que se lamentava em alta voz, dizendo que tinha mulher e filhos. É interessante como se dá o diálogo dessa troca, quando o padre Kolbe sai da fila de prisioneiros e se apresenta ao oficial alemão:

– Alto! O que quer este porco polonês?

– Gostaria de morrer no lugar de um destes condenados. O lagerführer perguntou estupidamente: – Mas, por quê? Respondeu: Eu estou velho e não sirvo para nada. Minha vida não tem nenhuma utilidade. – No Lugar de quem você quer morrer? – Daquele homem que tem mulher e filhos. Naquele momento a curiosidade foi mais forte do que a crueldade: Quem é... você? A resposta em tom suave, mas não menos solene: – Um sacerdote católico.

Com isso, o Padre Kolbe aceitava o martírio para praticar heroicamente seu múnus sacerdotal, dando assistência religiosa e ajudando a morrer virtuosamente aqueles pobres condenados.

Tudo isto aconteceu no campo de concentração de Auschwitz, onde foram assassinadas cerca de 4.000.000 pessoas, incluindo Edith Stein (Irmã Teresa Benedita da Cruz, carmelita), cuja causa de beatificação está em andamento na Congregação competente. As chaminés dos fornos crematórios, ainda visíveis hoje em dia, lançavam naqueles dias, fumaça dia e noite. Auschwitz, com o seu extermínio mecanizado da vida humana foi o lugar do sofrimento inominável, da angústia, da dor, da maldade e do monstro que se torna o homem quando se afasta de Deus.

Toda a vida de padre Kolbe não se esgota neste holocausto, ao contrário, seu testemunho de fé, sacrifício e desprendimento da própria vida continua ressoando em nossos dias como um clamor à prática da caridade fraterna. A seguinte frase de padre Maximiliano Kolbe retrata profundamente o seu desejo de se doar por inteiro: “Antes ficar preso por puro amor a Deus do que abusar da pretensa liberdade para uma vida escandalosa.”

Somente alguém com plena consciência de sua pertença a Deus poderia ser capaz de tamanho gesto de entrega confiante e ardorosa. Padre Kolbe também se confiava aos cuidados daquela que se deixou fazer morada de Deus, Maria, a sua sempre Imaculada. Ela que, como escolhida, soube compreender a quem pertencia sua vida e, como Mãe, soube ensinar isto a padre Kolbe.

Através da morte que Cristo sofreu na cruz foi realizado o resgate do mundo, por isso a morte doada por amor é de valor supremo. A morte sofrida pelo padre Maximiliano Kolbe é um claro sinal desse amor de Jesus que foi renovado em nossa época, como sinal de alerta aos homens  que constantemente ameaçam a vida pelo pecado de crimes contra seus semelhantes.  

Até na festa de sua canonização Deus quis maravilhar o mundo com o testemunho do próprio Papa, também polonês, que lhe dedicou uma belíssima homilia, e com a presença o próprio Franciszek Gajowniczek, o homem cujo lugar tomou e que acabou sobrevivendo aos horrores de Auschwitz. Foi canonizado pelo Papa João Paulo II em 10 de Outubro de 1982.

“É penoso para o Senhor ver morrer os seus fiéis. Senhor, eu sou vosso servo; vosso servo, filho de vossa serva: quebrastes os meus grilhões. Oferecer-vos-ei um sacrifício de louvor, invocando o nome do Senhor. Cumprirei os meus votos para com o Senhor, na presença de todo o seu povo”. (Sl 115).

Fonte:

FROSSARD, André. A Paixão de Maximiliano Kolbe. Tradução de Ephraim Ferreira Alves. Petrópolis, RJ: Vozes, 1988.

NIGG, Walter. Maximiliano Kolbe: O mártir de Auschwitz. São Paulo: Loyola, 1982.

WINOWSKA, Maria. Maximiliano Kolbe. Um mártir de Auschwitz. São Paulo, Paulinas, 1983.

 

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"Jesus de Nazaré", de Joseph Ratzinger - Bento XVI
Resumo comentado

 

Por: Sergio Alejandro Ribaric


A segunda parte da obra "Jesus de Nazaré", de Joseph Ratzinger - Bento XVI, chegou recentemente e foi lançada, aqui no Brasil, pela editora Planeta.  O livro consta de nove capítulos que narram e estudam os momentos que  precederam a morte de Jesus e a sua ressurreição.

Segue um brevíssimo resumo do livro. Não pretende reproduzir todas as enormes riquezas da obra. Muito menos a pretensão de ser um texto crítico.

Capítulo 1

É a entrada de Jesus em Jerusalém. O “domingo de ramos”, onde Ele é recebido com festa pela multidão. Sentado sobre um jumentinho, Bento XVI o descreve como “um rei da paz e um rei da simplicidade, um rei dos pobres”. É uma preocupação do Santo Padre em retirar da figura do Jesus histórico a conotação de revolucionário político. Fica claro em sua narrativa que  sua entrada em Jerusalém “não se fundamenta sobre a violência; não inicia uma revolta militar contra Roma. O seu poder é de caráter contrário: é na pobreza de Deus, na paz de Deus que Ele identifica o único poder salvífico”, salienta Bento XVI.

Essa preocupação destaca que a violência não instaura o Reino de Deus. Não servem à humanidade, “Jesus não vem como destruidor; não vem com a espada do revolucionário. Vem com o dom da cura”. Jesus dedica-se àqueles que, por causa de suas enfermidades, são colocados a margem da sociedade, mostrando Deus como Aquele que ama profundamente o homem e sempre se coloca  seu Lado. Como o Deus daqueles que mais nada tem.

Mas isso não significa que Seu amor seja apático ou não imponha aos homens uma posição e uma responsabilidade.  Bento XVI, enfatiza que no dia seguinte à entrada em Jerusalém, Jesus combate a relação entre religião e comércio, salientando que o tempo se tornou um covil de ladrões.  Essa segunda, terça e quarta feira, foram dias de combate de Jesus com os fariseus, os doutores da lei, os mercadores do templo.....

Capítulo 2

O capitulo 2 inicia-se com um estudo sobre “o grande discurso escatológico de Jesus, com os temas centrais da destruição do templo, da destruição de Jerusalém, do Juízo final e do fim do mundo”. Com uma linguagem clara o Pontífice, salienta que Jesus tantas vezes quis acolher os filhos de Jerusalém, mas eles não quiseram, Prevê a destruição do templo pelos romanos e um massacre dos judeus.

Importante a leitura de Bento XVI sobre esses episódios históricos para o judaísmo, “a destruição do templo deve ter sido um grande choque”: com o fim dos sacrifícios expiatórios, o povo e os sacerdotes não poderiam fazer nada que compensasse o mal do  mundo. Dessa forma, ele coloca Jesus: “ superada a época do tempo de pedra. Iniciou-se algo novo. Jesus mesmo é colocado no lugar do tempo, é Ele o novo templo, é a presença de Deus vivente. Nele Deus e homem, Deus e o mundo se encontram”. Apenas no Seu amor, símbolo e presença viva do amor do Deus único sobre a terra, desfaz-se todo o pecado do mundo.

Tira-se daí a enorme importância que Jesus dá à missão de evangelizar pelo mundo inteiro. Justamente para que essa salvação, essa grande novidade na história da humanidade possa chegar a todo homem. Nesse  discurso escatológico, Jesus fala do tempo dos pagãos, localizado entre a destruição de Jerusalém e do fim do mundo: durante esse tempo, “o Evangelho deve ser levado a todo o mundo e a todos os homens: somente depois a história poderá chegar a sua meta”. A entrada de Jesus em Jerusalém e Seu discurso escatológico mostram que Deus quer salvar a todos. Jesus diz “o céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão”.  A Palavra, salienta Bento XVI, é mais real e mais duradoura que todo o mundo material, “é a realidade verdadeira e confiável. Os elementos cósmicos passam; a palavra de Jesus é  o verdadeiro 'firmamento' no qual o homem pode estar e permanecer”.

Capítulo 3

Jesus se despoja de seu esplendor divino para purificar os pecados e tudo o que ofende a Deus no mundo, para “tornar-nos capazes de participar do banquete nupcial de Deus”. Isso é de um radicalismo sem precedentes na história da humanidade e das religiões: diante de Deus, “não é a prática de rituais que purifica”, mas é “a fé que purifica o coração”.  A novidade do Evangelho não é a elevação da prestação moral: “A nova Lei é a graça do Espírito Santo, não é uma nova norma, mas a nova interioridade doada pelo próprio Espírito de Deus”, salienta o autor. “Devemos deixar-nos imergir na misericórdia do Senhor para que, assim, nosso coração possa ser caminho de justiça”, retoma ele. O mandamento novo do amor “não é simplesmente uma exigência nova e superior: ele está ligado à novidade de Jesus Cristo – ao crescente ser imerso n'Ele”.

A pureza é um dom, como ser cristão também é um dom que se desenvolve na dinâmica do viver e agir junto com este dom. O autor explica que Pedro e Judas são dois modos diferentes de reagir diante desse dom. Ambos o acolhem, mas depois um o renega e outro o trai. Pedro, arrependido, crê no perdão. Também Judas arrepende-se, mas não "consegue mais acreditar no perdão. O seu arrependimento torna-se desespero... vê então somente as próprias trevas, é destrutivo e não é um verdadeiro arrependimento". Em Judas, encontra-se o perigo que percorre o homem que, uma vez iluminado, decai espiritualmente, saindo da luz e entrando num desespero (falta de fé) entra na noite e não é mais capaz de conversão.

Capítulo 4

Aqui nosso Papa faz um estudo refletivo sobre a oração sacerdotal de Jesus que deve ser compreendida somente com o pano de fundo da liturgia da festa judaica da Expiação (Yom kippùr). A elevação de Jesus sobre a Cruz constitui "o dia da Expiação do mundo, em que toda a história do mundo encontra o seu sentido": aquele de reconciliar-se com Deus.

Capítulo 5

Aqui o Papa compara historicamente a questão das datas distintas da última Ceia entre os Evangelhos Sinóticos e o Evangelho de João. Reforça, e isso já tinha sido uma tônica no primeiro volume,  que a pesquisa histórica pode chegar somente até certo grau de certeza, mas nunca a uma certeza última. "Se a certeza da fé baseasse-se exclusivamente sobre uma abordagem histórico-científica, permaneceria sempre passível de revisão", adverte Bento XVI, complementando que a certeza última nos é dada pela fé.

No livro, "a Última Ceia significa a despedida de Jesus, pois não pertencia a nenhum determinado rito judaico. Ele dava algo de novo, dava a si mesmo como o verdadeiro Cordeiro, instituindo assim a Páscoa". Bento XVI salienta que "aquilo que a Igreja celebra na Missa não é a última ceia, mas aquilo que o Senhor, durante a última ceia, instituiu e confiou à Igreja: a memória da sua morte sacrifical".

Capítulo 6

No  Getsêmani, Jesus experimentou a última solidão e toda a tribulação do ser humano. Deus nesse momento, se aproxima do mais humilde e desesperado dos seres humanos.  Pedro, contrariamente não aceita essa cruz. E é apontado pelo Papa como sinal daquela atitude que Às vezes tomamos  sob a tentação de afastar de nós a nossa cruz. Escolher o caminho aparentemente mais fácil. Mas perigoso para o Cristão e para a Igreja: sem a cruz, querer chegar ao sucesso.

A solidão de Jesus é descrita com o pedido de Jesus aos discípulos para que estes façam vigília. Em vão! Uma angústia suprema assola Jesus, na consciência de tomar sobre si todo o mal do mundo: "é o encontro mesmo entre luz e trevas, entre vida e morte – o verdadeiro drama da escolha que caracteriza a história humana". Jesus eleva a sua súplica ao Pai, Àquele que pode salvá-lo da morte.

Capítulo 7

Neste capítulo, Bento XVI analisa o julgamento contra Jesus e sublinha que não foi o povo judeu como tal que desejou a morte de Cristo, pois também Jesus e seus discípulos eram judeus. Quem o acusava era a aristocracia do templo. Sobre a pergunta de Pilatos à Jesus: “O que é a verdade?”. O Papa ressalta: "A não redenção do mundo consiste no não reconhecimento da verdade, uma situação que, depois, conduz inevitavelmente ao domínio do pragmatismo e, desde modo, faz que o poder dos mais fortes torne-se deus deste mundo".

Bento XVI refroça a questão acerca da “verdade” como algo que faz parte da busca do homem: "Mas, sem a verdade, o homem não alcança o sentido da vida, deixa o campo aos mais fortes. A verdade torna-se reconhecível em Jesus Cristo. Externamente, ela é imponente no mundo – como Cristo, frente aos critérios do mundo, parece sem poder... é crucificada. Mas exatamente assim, na total falta de poder, Ele é poderoso, e somente assim a verdade torna-se sempre novamente uma potência".

Capítulo 8

Capítulo dedicado a crucificação e a deposição de Jesus no sepulcro. O Papa recorda a decepção de todos que no domingo anterior o receberam como o “salvador” e o “messias”. Ninguém esperava o fim desse Messias dessa forma horrenda como na cruz, criando um fato incompreensível e que forçou nos tempos subseqüentes a uma nova compreensão da Escritura.

Bento XVI recorda que a primeira palavra de Jesus sobre a Cruz é o pedido de perdão para os crucificadores, pois "não sabem o que fazem". Ele também indica a figura do bom ladrão sobre a cruz como uma belíssima imagem da esperança, "a certeza consoladora de que a misericórdia de Deus pode alcançar-nos também no último instante; a certeza de que a oração que implora a sua bondade não é em vão".

É uma veemente defesa de que "o bem é sempre infinitamente maior que todo o mal, por mais terrível que seja. Por isso, ao centro do ministério apostólico e do anúncio do Evangelho deve estar o ingresso no mistério da cruz. Ali, a obscuridade e a ilogicidade do pecado encontram-se com a santidade de Deus na sua luminosidade deslumbrante para os nossos olhos e isso vai além da nossa lógica. No entanto, na mensagem do Novo Testamento e na sua verificação na vida dos santos, o grande mistério torna-se totalmente luminoso. O mistério da expiação não deve ser sacrificado devido a qualquer racionalismo pedante”.

Capítulo 9

A ressurreição de Jesus. "Sem a fé na ressurreição a fé cristã é morta. Somente se Jesus ressuscitou aconteceu aquilo de verdadeiramente novo que transforma o mundo e a situação do homem", diz o Papa. A ressurreição não foi o milagre de um cadáver que voltou à vida. Outros foram ressuscitados por Jesus durante sua vida. "Foi à entrada em um gênero de vida totalmente novo, rumo a uma vida não mais sujeita à lei do morrer e do tornar-se, mas que vai além disso – uma vida que inaugurou uma nova dimensão do ser homens. É uma espécie de 'mutação decisiva', um salto de qualidade. Está aberta uma nova possibilidade de ser homem, uma possibilidade que interessa a todos e abre um futuro, um novo gênero de futuro para os homens".

Como não poderia deixar de ser, Bento XVI aproveita este capítulo para questionar  se a ressurreição estaria em contraste com a ciência. "Em toda a história daquilo que vive, os inícios das novidades são pequenos, quase invisíveis – podem ser ignorados. O Senhor mesmo disse que o 'reino dos céus', neste mundo, é como um grão de mostarda, a menor de todas as sementes. Mas traz em si a potencialidade infinita de Deus. A ressurreição de Jesus, do ponto de vista da história do mundo, é imperceptível, é a menor semente da história. Essa inversão da proporções faz parte dos mistérios de Deus. No final da contas, aquilo que é grande, poderoso, é o pequeno. E a semente pequena é a verdadeiramente grande. A ressurreição é um evento dentro da história que, todavia, quebra o âmbito da história e a supera”.

A sua narrativa, nestas reflexões, tornam-se muito ricas porque salientam  que esse é  próprio do mistério de Deus: agir de modo submisso. "Somente aos poucos Ele constrói na grande história da humanidade a sua história... Continuamente Ele bate de modo submisso na porta de nossos corações e, se lhe abrimos, lentamente torna-nos capazes de 'ver'. Não é exatamente esse o estilo divino? Não sobrecarregar com o poder exterior, mas dar liberdade, doar e suscitar amor”.

Conclusão

É um belo livro. Um pouco teológico para alguém que procura apenas frases  e citações simples. Mas profundamente voltado para o foco que todo cristão deve ter em suas convicções sobre Jesus: O crer implica em missão, Implica em compromisso, implica em um novo olhar sobre o mundo.  O crer do Cristão é um crer em comunhão com esse Jesus que os resgata até no momento de incompreensão diante da própria paixão: segundo o Papa, a narrativa sobre a ascensão diz que "os discípulos ficaram cheios de alegria depois que o Senhor ficou definitivamente distante deles. Não se sentem abandonados. Estão seguros de que o Ressuscitado exatamente agora está presente em meio a eles de uma maneira nova e poderosa, que não se pode mais perder. Está sempre presente em meio a nós e por nós".

O Papa nos relembra o que todo cristão Jamais deveria esquecer: a vitória do amor será a última palavra da história do mundo. E a certeza disso nos vem das palavras do próprio mestre:  “Eu estou convosco todos os dias, até o fim do mundo”.

 

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A ORIGEM DA FESTA DE CORPUS CHRISTI

A celebração do amor e união


Por: Monsenhor Arnaldo Beltrami (*)

História:

A Festa de Corpus Christi foi instituída pelo Papa Urbano IV com a Bula "Transiturus" de 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes.

O Papa Urbano IV foi o cônego Tiago Pantaleão de Troyes, arcediago do Cabido Diocesano de Liège na Bélgica, que recebeu o segredo das visões da freira agostiniana, Juliana de Mont Cornillon, as quais exigiam uma festa da Eucaristia no Ano Litúrgico.
Juliana nasceu em Liège em 1192 e participava da paróquia Saint Martin. Com 14 anos, em 1206, entrou para o convento das agostinianas em Mont Cornillon, na periferia de Liège. Com 17 anos, em 1209, começou a ter 'visões', exigindo da Igreja uma festa anual para agradecer o sacramento da Eucaristia. Com 38 anos, em 1230, confidenciou esse segredo ao arcediago de Liège, que 31 anos depois, por três anos, se tornaria o Papa Urbano IV (1261-1264), tornando mundial a Festa de Corpus Christi, pouco antes de morrer.

A "Fête Dieu" começou na paróquia de Saint Martin em Liège, em 1230, com autorização do arcediago para procissão Eucarística só dentro da igreja, a fim de proclamar a gratidão a Deus pelo benefício da Eucaristia. Em 1247, aconteceu a primeira Procissão Eucarística pelas ruas de Liège, já como festa da diocese. Depois se tornou festa nacional na Bélgica. A festa mundial de Corpus Christi foi decretada em 1264, 6 anos após a morte de irmã Juliana em 1258, com 66 anos.

Celebração:

O decreto do Papa Urbano IV teve pouca repercussão, porque ele morreu em seguida. Mas se propagou por algumas igrejas, como na diocese de Colônia na Alemanha, onde Corpus Christi é celebrada antes de 1270. O ofício divino, seus hinos, a sequência 'Lauda Sion Salvatorem' são de Santo Tomás de Aquino (1223-1274), que estudou em Colônia com Santo Alberto Magno. Essa festa [Corpus Christi] tomou seu caráter universal definitivo, 50 anos depois de Urbano IV, a partir do século XIV, quando o Papa Clemente V, em 1313, confirmou a Bula de Urbano IV nas Constituições Clementinas do Corpus Júris, tornando a Festa da Eucaristia um dever canônico mundial.

Em 1317, o Papa João XXII publicou esse Corpus Júris com o dever de levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas. O Concílio de Trento (1545-1563), por causa dos protestantes, da Reforma de Lutero, dos que negavam a presença real de Cristo na Eucaristia, fortaleceu o decreto da instituição da Festa de Corpus Christi, obrigando o clero a realizar a Procissão Eucarística pelas ruas da cidade, como ação de graças pelo dom supremo da Eucaristia e como manifestação pública da fé na presença real de Cristo na Eucaristia.
Em 1983, o novo Código de Direito Canônico – cânon 944 – mantém a obrigação de se manifestar "o testemunho público de veneração para com a Santíssima Eucaristia" e "onde for possível, haja procissão pelas vias públicas", mas os bispos escolham a melhor maneira de fazer isso, garantindo a participação do povo e a dignidade da manifestação.

Sacramento:

A Eucaristia é um dos sete sacramentos e foi instituído na Última Ceia, quando Jesus disse: "Este é o meu corpo...isto é o meu sangue... fazei isto em memória de mim". Porque a Eucaristia foi celebrada pela primeira vez na Quinta-Feira Santa, Corpus Christi se celebra sempre numa quinta-feira após o domingo depois de Pentecostes.

Na véspera da Sexta-Feira Santa, a morte na cruz impede uma festa solene e digna de gratidão e doutrinação. Porque a Última Ceia está no Novo Testamento, os evangélicos lhe têm grande consideração, mas com interpretação diferente.

A Eucaristia é também celebração do amor e união, da comum-união com Cristo e com os irmãos. Ela [Eucaristia], que é a renovação do sacrifício de Cristo na cruz, significa também reunião em torno da mesa, da vida e da unidade para repartir o pão e o amor. E é o centro da vida dos cristãos: "Eu sou o Pão da Vida, que desceu do céu para a vida do mundo, por meio da vida de comum-união dos cristãos".

Ornamentação: A decoração das ruas para a Procissão de Corpus Christi é uma herança de Portugal e tradição brasileira. Muitas cidades enfeitam suas ruas centrais com quilômetros de tapetes, feitos de serragem colorida, areia, tampinhas de garrafa, cascas de ovos, pó de café, farinha, flores, roupas e outros ingredientes.


(*) Exerceu o ministério por 7 anos na Arquidiocese de Botucatu (63/69), por 14 anos na Diocese de Apucarana (69/83) e por 8 anos na CNBB de Brasília. A partir de 1991 integrou a Arquidiocese de São Paulo, como Vigário Episcopal de Comunicação. É autor do livro "Como Falar com os Meios de Comunicação da Igreja". Faleceu no dia 11/10/2001.