PAPA FRANCISCO VISITA BOLÍVIA

O Papa Francisco deixou a Bolívia na tarde desta sexta-feira, 10. Seu último compromisso no país doi a vista ao Centro de Reabilitação de Palmasola, em Santa Cruz de la Sierra.

O Santo Padre foi acolhido no cárcere pelo arcebispo de Sucre, Dom Jesús Juárez Párraga, presidente da Pastoral Social Caritas Boliviana e responsável da Pastoral Carcerária, que fez o discurso de boas-vindas ao pontífice. Francisco ouviu atentamente o discurso do prelado e também o testemunho de dois reclusos e uma reclusa.

“Não podia deixar a Bolívia sem vir ver-vos, sem deixar de partilhar a fé e a esperança que nascem do amor entregue na cruz. Obrigado por me receberem. Sei que se prepararam e rezaram por mim. Muito obrigado!”, disse Francisco em seu discurso.

“Jesus veio para nos mostrar, fazer visível o amor que Deus tem por nós. Por vós, por mim. Um amor ativo, real. Um amor que levou a sério a realidade do seus. Um amor que cura, perdoa, levanta, cuida. Um amor que se aproxima e devolve a dignidade perdida”, disse ainda Francisco.

Com os movimentos populares

No dia anterior, quinta-feira, 9, o Papa Participou do encerramento do II Encontro dos Movimentos Populares em Santa Cruz de la Sierra. Nesta ocasião, o Pontífice pronunciou o mais longo e contundente discurso desta sua viagem, denunciando a ambição desenfreada pelo dinheiro, as novas formas de colonialismo e as agressões ao meio-ambiente. O Pontífice afirmou que os “três T” – terra, teto e trabalho” são direitos sagrados pelos quais vale a pena lutar e propôs três grandes tarefas aos movimentos populares.

Leia a íntegra do discurso

Ao começar falando da necessidade de mudanças, Francisco esclareceu que os problemas “têm uma matriz global” e que portanto dizem respeito à toda humanidade, chamando a atenção de que só reconhecemos que as coisas não vão bem quando explodem as guerras, a violência e a criação está ameaçada. O Papa reitera, que as diversas formas de exclusão não são questões isoladas, mas “têm um elo invisível” que as une, fruto de um sistema que “impõe a lógica do lucro a qualquer custo”, tornando-se uma situação insuportável para os camponeses, comunidades.

 

“Queremos uma mudança nas nossas vidas, nos nossos bairros, no vilarejo, na nossa realidade mais próxima; mas uma mudança que toque também o mundo inteiro, porque hoje a interdependência global requer respostas globais para os problemas locais. A globalização da esperança, que nasce dos povos e cresce entre os pobres, deve substituir esta globalização da exclusão e da indiferença”.

Francisco alertou, que uma “mudança de estruturas que não seja acompanhada de uma conversão sincera das atitudes e do coração, acaba a longo ou curto prazo por burocratizar-se, corromper-se e sucumbir”. Para evitar isto, enalteceu a “imagem do processo”, “onde a paixão por semear, por regar serenamente e que outros verão florescer, substitui a ansiedade de ocupar todos os espaços de poder disponíveis e de ver resultados imediatos”.

Missa campal

Seu primeiro compromisso em Santa Cruz de la Sierra foi a missa campal celebrada na Praça do Cristo Redentor. A celebração abriu o V Congresso Eucarístico Nacional e teve orações feitas em espanhol e nas línguas indígenas guarani, quéchua e aimará.

Na homilia, Papa Francisco começou reconhecendo o esforço dos fieis em participar da missa para ouvir a Palavra, como descrevia o Evangelho, “para celebrar a presença viva de Deus” e para “estarmos juntos como Povo Santo”. Muitas vezes “experimentando o cansaço do caminho”, pois “não são poucas as vezes que nos faltam as forças para manter viva a esperança”.

“Me comovo quando vejo muitas mães, como vocês fazem aqui, carregando seus filhos nas costas. Carregando sobre si a vida, o futuro do seu povo. Carregando os motivos da sua alegria, as suas esperanças. Carregando a bênção da terra nos frutos. Carregando o trabalho feito com as suas mãos. Mãos, que moldaram o presente e tecerão os sonhos do amanhã. Mas carregando também sobre os seus ombros decepções, tristezas e amarguras, a injustiça que parece não ter fim e as cicatrizes de uma justiça não realizada. Carregando sobre si mesmas a alegria e a dor de uma terra. Carregais sobre vós a memória do vosso povo. Porque os povos têm memória, uma memória que passa de geração em geração, os povos têm uma memória em caminho.”

‘Não somos testemunhas de uma ideologia’

Também na quinta-feira, o Santo Padre se encontrou com cerca de 4 mil religiosos, seminaristas, sacerdotes e leigos consagrados no “Coliseu Dom Bosco”, em Santa Cruz de la Sierra.

Após ser saudado por Dom Roberto Bordi, bispo encarregado pela Vida Consagrada, e ouvir os testemunhos de um sacerdote, uma religiosa e um seminaristas, o Papa se pronunciou inspirando-se na experiência de Bartimeu, narrada no Evangelho de Marcos, proclamado durante o evento.

“Um dia Jesus viu-nos à beira da estrada, sentados nas nossas dores, nas nossas misérias. Não silenciou os nossos gritos; antes, deteve-Se, aproximou-Se e perguntou que podia fazer por nós. E, graças a tantas testemunhas que nos disseram ‘coragem, levanta-te’, gradualmente fomos tocando aquele amor misericordioso, aquele amor transformador que nos permitiu ver a luz. Não somos testemunhas de uma ideologia, uma receita, uma forma de fazer teologia. Somos testemunhas do amor sanador e misericordioso de Jesus. Somos testemunhas da sua intervenção na vida das nossas comunidades.

Francisco segue para o Paraguai, última parada de sua nona viagem apostólica internacional, retornando a Roma domingo, 12.

 

 

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