Mudança por Mudança não Vale!

É necessário converter-se!

Tenho me impressionado com o modo como as pessoas se agarram aos pequenos componentes da vida e do cotidiano por temer o que pode vir adiante, enquanto se vai vivendo. Uns se agarram à aparência: frequentam academias, salões de beleza e clínicas de emagrecimento, fazem terapias com pedras coloridas, sais, perfumes; há quem pratique uma mescla de exercícios corporais e místicos: acendem velas, queimam incenso e buscam Jesus para “salvar” suas vidas da obesidade mórbida. O medo das mudanças físicas apavora a tal ponto que rugas são mais odiosas que ausência de caráter, gordura localizada é mais infernal que faltar com a verdade e não ter dinheiro para os produtos de beleza é mais assustador que não ter como comprar o que comer. Vive-se hoje o contexto competitivo do consumismo desenfreado, da ganância insaciável de ter, gastar e mudar de roupa e de objetos como jamais se possa ter observado na história da humanidade!

Diante de tanta futilidade na lide com a vida, como oásis no deserto, uma comunidade cristã deve estimular o coração humano a ser feliz trilhando o caminho da simplicidade, superando o afã do compra-compra, briga-briga, disse-que-me-disse e do lero-lero. Mas para se chegar ao prazer da simplicidade, aos moldes de Jesus de Nazaré, há um caminho sem atalhos a ser percorrido: o da superação da inveja, extirpando o famigerado espírito competitivo de regras lamentavelmente antiéticas; sair do esquema usual da língua perversa e maledicente para introduzir-se na lógica do Evangelho: abençoar e não amaldiçoar. A jornada cristã, que nos conduz para longe da maldade – não a dos outros, mas aquela que praticamos por conta própria –, exige capacidade para galgar o alto nível da humildade, adicionando ingredientes como paciência e persistência a esta receita que cura corações e, realmente, transforma vidas humanas.

É certo que, para libertar-se de certos defeitos que doentiamente se enraízam em nós, há um árduo trabalho de base, não menos exigente, que deve ser imediata e avidamente promovido; é o imperativo cristão de mudar, representado pelo pomposo nome grego metanóia, que, em português, suavemente designamos pela palavra CONVERSÃO.

Admitindo a importância primordial de mudança de caráter – isto é, a tal conversão, que nunca pode faltar entre discípulos e discípulas de Cristo – espanta-me quando o precioso tempo de vir à Igreja e nela orar, meditar, comungar e se confraternizar seja gasto em quimeras, fofocas, opiniões sem base e comentários maldosos e doentios sobre padres, catequistas, ministros, gente idosa, cor de pele origem social ou orientação sexual das pessoas.

Cabe que todos os cristãos jamais se esqueçam de que, neste lugar sagrado, a gente vem para servir e se salvar do pecado, e não servir-se das artimanhas do chefe dos pecadores.

 

Abraço fraterno,

Pe. Tarcísio Marques Mesquita
Pároco